ESMOLO LETRAS SIMPLES,
AO MENOS, VOGAIS.
SÍLABAS TÔNICAS,
PREDICADOS,
ARTIGOS,
COMPOSTOS E
DEFINIDOS,
SUJEITOS DO CASO RETO.
ALGUMAS LETRAS
PARA COMPOR UMA PALAVRA:
Poesia.
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
terça-feira, 24 de outubro de 2017
domingo, 15 de outubro de 2017
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
“Enfim, sós!”
.
Personagens:
Burguês de cartola;
Latifundiário;
Industrial;
Político;
Encarregado da linha de
produção;
Pescador;
( a cena se passa em qualquer lugar imaginado; os personagens comemoram com champanhe,
taças, e muitas risadas o fim de todas as coisas que os atrapalhavam e os
incomodavam).
TODOS – enfim, sós! Enfim,
sós!
BURGUÊS DE CARTOLA –
finalmente! Vamos comemorar! Vamos beber!
TODOS – finalmente! Enfim,
sós! Que felicidade! Enfim, sós!
LATIFUNDIÁRIO – eu nunca
senti uma alegria tão grande em minha vida! Quanta felicidade! Não sabia que
isso seria possível!
BURGUÊS DE CARTOLA – e o Sr.
Latifundiário, não acreditou em mim. Viu? Eu prometi e cumpri! Eu te avisei que
um dia, ficaríamos livres. E o Sr. Também, senhor industrial, não levou a sério
o que eu já há muito vinha dizendo: livres! Agora, acreditas em mim? Livres!
LATIFUNDIÁRIO – como poderia
imaginar que viveria para ver um dia desses? Ainda não estou acreditando!
Belisquem-me, por favor. (o encarregado corre e belisca o latifundiário).
LATIFUNDIÁRIO – aí! Seu
imbecil! Você não!
ENCARREGADO DA LINHA DE
PRODUÇÃO – mas, você mandou...
INDUSTRIAL – xí! Quieto.
Quem manda sou EU! Você obedece a mim! (belisca o latifundiário).
LATIFUNDIÁRIO – AÍ!
INDUSTRIAL – viu só? Não
está doRRRmindo!
LATIFUNDIÁRIO – doeu.
BURGUÊS DE CARTOLA –
senhores, senhores. Vamos comemorar, vamos beber! Aqui, por favor, suas taças!
Champanhe para todos! Bem, para quase todos.
(serve champanhe a quase
todos, não serve ao encarregado e o pescador).
- vamos! Alegria, pessoal!
Vamos brindar! Enfim, sós! Tim-tim!
(todos
brindam).
TODOS – enfim, sós! Enfim,
sós!
POLÍTICO – eu não via a hora
de nos livrarmos daquela gente chorona. Só sabem pedir e chorar, reclamar,
chorar por migalhas e esmolas.
BURGUÊS DE CARTOLA – Aaaaa!
Você foi muito inteligente, Sr. Politico, inventando todas aquelas leis que
proibiram as reclamações e protestos, de todas as formas possíveis, desde uma
música até uma pichação em um muro qualquer - Apesar de ser mais fácil utilizar
a televisão para esses meios de emburricar as pessoas - Os protestos dessa
gente mesquinha que se auto intitulam POVO! Mas, muito mais inteligente você
foi quando ouviu os meus conselhos e inventou uma guerra genocida e matou todos
ELES!
POLITICO – obrigado,
obrigado.
LATIFUNDIÁRIO – mas o Sr.
foi muito mais inteligente quando, através de uma emenda Constitucional,
conseguiu derrubar todas as leis ambientais do país, TODAS, deixando livres
nossas matas, que na verdade não servem para nada, afinal, para quê aquilo
serve? Deixando o caminho livre para o que realmente faz a riqueza de nosso
país: a soja! O ouro verde! Mas, muito mais inteligente o Sr. foi quando
proibiu a todos os ambientalistas de protestarem sob ameaça, de serem presos.
Expulsando os ambientalistas estrangeiros. Aqueles intrometidos! Chatos! Bando
de maconheiros!
POLITICO – obrigado,
obrigado!
BURGUÊS DE CARTOLA – isso
senhor latifundiário, essas leis proibindo esses chorões de se manifestar,
estava no mesmo pacote que encomendei ao nosso amigo aqui presente.
LATIFUNDIÁRIO – mas seu
verdadeiro golpe de mestre, sua máxima astúcia e prova de inteligência foi
quando Sr. aprovou o fim de todas as comunidades indígenas e quilombolas por
todo o país. Todas as demarcações foram proibidas, as novas e as antigas
perderam seu valor, proibindo junto às manifestações culturais e obrigando a
todos vestirem roupas e abandonarem suas terras nas mãos dos fazendeiros e
grandes produtores. Sem índios, sem ambientalistas, sem reforma agrária, sem
SEM-TERRAS! Preciso parabenizá-lo!
POLÍTICO – obrigado,
obrigado! Só fiz minha obrigação. Nada mais. Sem vocês esse país não existe. As
forças produtivas precisam desse apoio. Vocês fazem esse país grande! Aquela
gentalha chamada POVO “são” como moscas na sopa. E se contentam com migalhas.
BURGUÊS DE CARTOLA –
contentavam-se! Contentavam-se você quer dizer. Agora estamos livres deles!
Enfim, sós! Alegria, vamos beber!
TODOS – enfim, sós! Enfim,
sós!
ENCARREGADO – finalmente meu
patrão se viu livre desses pulhas, vadios e vagabundos que não queriam
trabalhar ao menos 12 horas por dia para ajudar no crescimento da empresa!
Esses vagabundos que enrolavam até a hora da saída depois de 8 horas de inúteis
vadiagens, tirando dinheiro de meu patrão! E não cumprindo com a produção que
lhe eram devidas. Nunca atingindo as metas da empresa e produção. Nunca!
Felizmente, não é patrão? Nosso querido representante no governo (aponta para o
político) conseguiu aprovar uma reforma trabalhista que alcança os anseios e
desejos de todos os patrões de nosso querido país. Nosso representante!
Parabéns!
POLÍTICO – Obrigado,
obrigado! Não fiz mais que minha obrigação.
BURGUÊS DE CARTOLA – o fim
dessas verdadeiras falanges. O fim de todos e a proibição de protestos foi um
verdadeiro golpe de mestre.
LATIFUNDIÁRIO – vamos
derrubar todas as árvores. Plantar soja é isso que enriquece o país. Deixar
florestas em pé! Para quê? Para macacos? Passarinhos? Quem precisa disso?
Bichos não trazem riquezas, há não ser, é claro, boi, ave de granjas, e suínos
para negócios rentáveis, o restante é só para fazer sujeiras.
INDUSTRIAL – não servem para
nada.
ENCARREGADO – só fazem
sujeira não é patrão?
LATIFUNDIÁRIO – o que esse
aí tá fazendo aqui? Ele não devia ter ido para a guerra também.
POLÍTICO – sim. Mas o Senhor
Industrial pediu para manter ele por aqui, pois precisa de alguém para fazer a
manutenção dos robôs da fábrica.
LATIFUNDIÁRIO – hum.
ENCARREGADO – agora que na
indústria de meu patrão só tem máquinas robotizadas, ela funciona 24 horas sem
parar, dando lucros! Sem salários, sem férias, sem feriados. E, é só ajustar a
produção no computador e pronto. Milhões e milhões de reais. O melhor é não
ouvir mais as choradeiras dos operários. É um alívio.
INDUSTRIAL - operários, não!
Já te avisei. Colaboradores.
ENCARREGADO – é força do hábito.
PESCADOR – Eu estou feliz
sem fiscalização. Posso pescar o que quiser, o quanto quiser e quando quiser.
BURGUÊS DE CARTOLA – muito
bem, muito bem! Todos estão satisfeitos. Sem precisar pagar impostos e taxas,
meus negócios estão dando retorno, um médio retorno, no mercado financeiro. Não
como queria, mas...
LATIFUNDIÁRIO – e esse aí? O
pescador?
POLÍTICO – e quem vai
conseguir camarão, lagosta e frutos do mar para a gente? Tem de pensar bem...
LATIFUNDIÁRIO – hum.
BURGUÊS DE CARTOLA –
senhores, senhores! Bebam! Vamos lá, bebam! Bebemos juntos! Champanhe para
todos!
(não
serve ao pescador e não serve ao encarregado).
_ Uma coisa eu digo e ei de
alcançar, senhores (bebe) ei de alcançar: serei, um dia, o homem mais rico do
mundo!
(os
outros se olham)
_ Esse sonho ei de realizar!
INDUSTRIAL – então, senhor,
e senhores, a competição será grande! Pois esse é meu mais antigo sonho: ser o
homem mais rico do mundo!
ENCARREGADO – e será,
patrão! Será! Agora que nos livramos de todos os funcionários e seus encargos,
você vai conseguir patrão! Vai conseguir!
INDUSTRIAL – O Senhor...
BURGUÊS DE CARTOLA – Senhor!
Não vamos nos iludir com possibilidades impossíveis. Enquanto o Sr. Ainda
possui gastos com a produção, manutenção da fábrica, eu só faço investimentos,
em dinheiro, empresto e recebo com juros estratosféricos! Sem gastar ganho
muito mais dinheiro que todos vocês juntos.com isenção de impostos e taxas
garantidos pelo nosso amigo aqui o senhor político. Essa isenção é importante
para a economia, à macroeconomia de nosso país. Claro, és uma pequena ajuda,
senhores...
INDUSTRIAL – mas isso não é
justo. Assim, não me entenda mal senhor, mas preciso conversar com o senhor
politico.
ENCARREGADO – senhor, (para
o político) é preciso intervir perante o Estado para conseguir essas
exonerações...
POLITICO – essas o quê?
ENCARREGADO – esses
descontos que o senhor conseguiu para o nosso amigo, o senhor burguês.
LATIFUNDIÁRIO – eu também
quero uma menor carga tributária nas minhas plantações, se não fica
insustentável plantar soja. Meus negócios estão engessados! É preciso isenção
de impostos para o agronegócio.
BURGUÊS DE CARTOLA –
senhores, senhores! Essa não é a hora de brigarmos a falarmos de negócios. É
hora de beber! Vamos, deixe-me encher suas taças de champanhe! Enfim, sós!
TODOS – enfim, sós, enfim,
sós!
LATIFUNDIÁRIO – há muito que
eu queria me livrar desses ambientalistas “malas” que enfrentavam meus
funcionários quando iam ocupar terras improdutivas, indígenas ou expulsar pequenos
agricultores que só conseguiam plantar aipim, batatas e alface. Só incomodavam!
Árvores servem para lenha e fazer móveis.
INDUSTRIAL – agora posso
produzir sem preocupar-me com o meio ambiente. Nada de filtros caros, nada de
proteger e economizar água, nada de reciclar.
ENCARREGADO – as pessoas
compram, compram e não sabem o que fazer com o lixo que eles mesmos compram e
nós produzimos, não é patrão?
PESCADOR – posso usar a rede
que eu quiser, a malha que eu quiser, posso jogar lixo no mar.
POLÍTICO – você tem camarão?
PESCADOR – sim, queres?
POLÍTICO – tem sete barbas?
Quero dez quilos.
PESCADOR – trago amanhã,
“dotô”.
BURGUÊS DE CARTOLA – não
podemos esquecer o “presente” que nos foi dado pelo senhor (aponta para o
político) com a Lei “Mulher de mordaça” obrigando as mulheres a ficarem em casa
sem intervir mais em “nossos” negócios. Negócios de Homens.
ENCARREGADO – lugar de
mulher é na cozinha. Não é, patrão?
POLÍTICO – e assim livrei-me
também daquelas feministas e defensoras dos direitos humanos. Chatas
encalhadas, baderneiras, isso é falta de macho!
LATIFUNDIÁRIO – lugar de
mulher é na cama.
BURGUÊS DE CARTOLA –
desliguei meu celular e proibi minha mulher de me ligar. É só para incomodar.
Por isso, senhores, vamos beber. Onde estão suas taças?
LATIFUNDIÁRIO – aqui, aqui!
INDUSTRIAL – por favor,
encha! Obrigado.
ENCARREGADO – dessa vez eu
posso?
(o burguês de cartola finge
não ver a taça do encarregado e do pescador)
POLÍTICO – vou dizer a
vocês, meus amigos, o melhor de tudo será quando não ouvir mais aquelas
“choramingue-las” de que é preciso melhores escolas, mais verbas para a
educação, hospitais, melhores hospitais! Hurrr! Para que tudo isso? Só para
apertar parafusos? Só para “bater massa”? Só para puxar gatilho? Eu tenho ódio
daqueles professores mendigando melhores salários! Ódio! Índios, professores e
quilombolas, sindicalistas, aposentados e ambientalistas. Aaa! Os sem-terra
também!
LATIFUNDIÁRIO – minha
produção melhorou muito depois que comprei aquelas colheitadeiras robotizadas,
controlada por satélites. Na safra, elas trabalham 24 horas sem parar e sem
chorar que estão cansadas, direitos e blá, blá, blá. Mas preciso de isenção.
POLÍTICO – mesmo com o
desmantelamento dos sindicatos após a reforma trabalhista, ou como um dos meus
financiadores dizia. (aponta para o burguês de cartola) tsunami trabalhista,
esses vadios continuaram a incomodar nos tribunais com direitos, Direitos
Humanos e toda essa galhofa que existia! Até me arrepia!
INDUSTRIAL – eu avisei que
essa reforma devia ser mais radical ainda. Jornada diária de trabalho de 12
horas sem reposição salarial, sem horas extras com limites. Só assim poderíamos
competir com os países industrializados e com a China. Só assim vamos crescer.
E essa reforma ficou barata. Estamos perdendo para o Paraguai.
BURGUÊS DE CARTOLA – eu
avisei...
POLÍTICO – pois é. Mas
alguns de seus amigos empresários ficaram com dó dessa laia! São todos uns
vadios! Reclamam de minha profissão que exigem muitos sacrifícios, desgaste da
minha vida pessoal, sacrifícios difíceis de serem superados e ainda querem que
os poucos benefícios que nos são dados, para nós da classe política, sejam
cortadas! Comparam a minha classe profissional importantíssima para a
democracia e a ordem republicana com reles professorzinhos do chão de escolas
que é a ralé brasileira.
INDUSTRIAL – esse é o
problema do POVO: você dá um dedinho e eles querem o corpo todo! Choram por um
emprego de faxineiro e quando conseguem reclamam, sindicalizam-se, fazem
greves!
ENCARREGADO – faziam, faziam
patrão! Agora só temos robôs.
INDUSTRIAL – tanto dinheiro
gastei com esses mau caráter, ingratos! Mas minha generosidade tem limites.
ENCARREGADO – tinha patrão.
Tinha. Agora acabou. Esqueça.
BURGUÊS DE CARTOLA – sim,
sim. Isso mesmo. Agora é só felicidade. Vamos beber! As taças, as taças!
(enche
as taças não servindo ao encarregado e ao pescador os dois lambem os lábios)
- outra ótima notícia que
lhes trago é que tenho um fundo de investimentos em um paraíso fiscal, e quando
precisarem fazer um investimento com rendimentos maiores, é só falar comigo.
POLÍTICO – como assim
paraíso fiscal?
BURGUÊS DE CARTOLA – sim.
Hum... Quanto custa o seu silêncio?
POLÍTICO – 10%.
BURGUÊS DE CARTOLA –
Fechado.
(apertam
as mãos).
LATIFUNDIÁRIO – e aquela
isenção que o senhor conseguiu para o nosso amigo, o senhor burguês? É difícil
conseguir para o agronegócio essas isenções? Estamos tendo dificuldades em
nossos negócios.
POLÍTICO – eu posso tentar
senhor, mas será preciso convencer meus companheiros de câmara, se é que me entende?
LATIFUNDIÁRIO – tudo bem.
Negocia com eles, mas seja generoso. Sou pobre, tenho poucas posses. Não tenho
dinheiro.
INDUSTRIAL – a produção
industrial necessita também de maiores isenções fiscais. Estamos indo a
bancarrota! Financiamos sua candidatura esperando que o senhor nos ajudasse.
Como ficam as coisas agora?
(o
burguês de cartola puxa o político de lado)
BURGUÊS DE CARTOLA – quer
ficar sem mesada?
POLÍTICO – como assim?
BURGUÊS DE CARTOLA – não se
faça de desentendido. Eu quero ser o homem mais rico do mundo! Entendeu?
Enrolem eles.
POLÍTICO – mais ou menos.
BURGUÊS DE CARTOLA – quer
ficar sem champanhe?
POLÍTICO – não.
BURGUÊS DE CARTOLA – sem
mesada?
POLÍTICO – Não.
BURGUÊS DE CARTOLA – então,
me ajude que eu ajudo você. Nada de isenções para esses idiotas. Entendeu
agora?
POLÍTICO – hum.
ENCARREGADO – o que os
senhores estão conversando? Meu patrão está curioso?
POLÍTICO – Como disse? Você não
se enxerga?
PESCADOR – o senhor está com
o champanhe? Não bebi nem um golinho ainda.
BURGUÊS DE CARTOLA – Sim,
sim. Deixe-me servir aos senhores. As taças, as taças. Vamos “bebemorar” como
dizia a ralé!
(serve
a todos menos o pescador e o encarregado)
INDUSTRIAL – não diga este
nome! Dá má sorte. Vai que eles voltem!
POLÍTICO – me dá arrepios só
de lembrar! Olha, olha aqui meu braço? Olha! Arrepiou tudo.
LATIFUNDIÁRIO – e então, Sr.
Político? Como ficam as isenções prometidas ao agronegócio?
BURGUÊS DE CARTOLA –
senhores, senhores. Agora não é hora de falarmos de negócios. Vamos comemorar.
Agora que nos livramos daqueles trastes precisamos comemorar! Vamos beber a
nossa liberdade e felicidade. Suas taças. Vamos beber.
LATIFUNDIÁRIO – Perdão
senhor, mas preciso de uma confirmação agora. O que diz a este respeito, Sr.
Político?
POLÍTICO - bem senhores, com
tantas isenções a todos os setores produtivos eu não vejo outra forma de
conseguir arrecadar taxas e impostos, para pagar meu humilde salário e os poucos
benefícios que recebo se não for através do aumento de impostos. Ou ao menos a
manutenção destas porcentagens. Não vejo outra forma.
TODOS – o quê?
POLÍTICO – alguém tem de
financiar a democracia, manter vivo o espirito do liberalismo e nossos
privilégios.
TODOS – mas não...?
POLÍTICO – não vejo outra
forma.
INDUSTRIAL – deve ter outra
forma...
POLÍTICO – Bem. Sei que –
até me arrepia – olha! (mostra o braço) mas quem mantinha nossos privilégios
foram embora...
ENCARREGADO – fala homem!
Não estamos entendendo.
POLÍTICO – quem mantinha
nossos privilégios pagando taxas e impostos embutidos no arroz e feijão, no
pão, na batata, no tomate, nos remédios básicos, no leite, roupas, no que vocês
produzem já com margens de lucros astronômicas eram aqueles asquerosos
trabalhadores que mandamos embora. Eles sustentavam nossos pequenos privilégios
de cada dia.
ENCARREGADO – do que você
está falando?
POLÍTICO – do retorno das
massas proletárias para trabalhar e comprar com impostos, ou de abrir mão de
algumas isenções para, com a generosidade de vocês, manter nossos privilégios
com as exportações.
PESCADOR – isto é um ponto a
se pensar. Quem vai comprar meus peixes? Além dos senhores?
LATIFUNDIÁRIO – a volta
daquela ralé e roceiros não dá!
ENCARREGADO – aqueles
vagabundos voltarem? Não dá!
INDUSTRIAL – quem vai pagar
mais por isso? É melhor pensarmos bem...
POLÍTICO – a volta do POVO
não dá!
TODOS – é. Não dá. Vamos
abrir mão de alguns privilégios. É isso aí, vamos. É melhor que a volta do
POVO.
BURGUÊS DE CARTOLA – então,
senhores, suas taças, vamos beber e comemorar. As taças, as taças! O POVO nunca
mais. Vamos beber.
(fala
ao ouvido do político)
- vais ganhar um belo
presente pela astúcia. Ainda mais se garantir isenções para meus negócios.
POLÍTICO – podes deixar.
Eles caíram como patos.
PESCADOR – gente, quem vai
comprar minhas sardinhas?
BURGUÊS DE CARTOLA – não te
preocupes com isto agora, senhor. Beba! Vamos comemorar! Sua taça, onde está?
(enche
a metade)
PESCADOR – só isso?
BURGUÊS DE CARTOLA – e o que
tu queres? Mais? Não abuse de tua sorte, senhor. Beba! Vamos. Estamos livres
daquela ralé. Bebam, bebam! Enfim, sós, enfim, sós!
TODOS – Enfim, sós. Enfim,
sós! Livres!
(saem
juntos de cena)
FIM.
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