segunda-feira, 22 de maio de 2017

HOJE eu “tô” de índio
fugidio,
bicho do mato.
Outro dia,
talvez EU seja,
menino do Rio
falador, simpático,

plástico.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Sonhos que guardo
e que a cada passo
os refaço
a cada pegada
na areia
na maré cheia
peço:
“guarde-os para mim, sereia”

“pego-os na volta”.
O nosso amor             


 O nosso amor, meu amor,
 que vive na sarjeta,
 que vive na valeta,
mas ele continua sendo
o nosso amor.
Com a mesma força,
com o mesmo fedor,
que é de suor
desse nosso amor,
intenso.
Denso.
que vive no lixão,
que vive no valão,
que corta a cidade
que vive no papel de bala
largado na rua
na sarjeta,
e é esse o nosso amor,
meu amor,
que deságua no esgoto
e que também é amor
mesmo no fosso
e é no fundo do poço
que vive o nosso amor,
crescente,
vivente.
Ás vezes na fossa,
que só o nosso amor
tira-me de lá.












BESTEIRINHAS


ALFA
BETA
GAMA


MEU AMOR,
VEM LOGO PRA
CAMA.


quarta-feira, 3 de maio de 2017

“ONDE VOCÊ FOI VALDOVINO?”
AUTOR: André Rosa.  Dezembro/2016.
Personagens:
Valdovino, marido.
Lucélia, esposa.
Engrácia, secretária.

                                                           CENA
[Uma mulher sentada em um sofá com uma toalha de banho na cabeça, com um controle remoto de televisão na mão. Trocando os canais de t.v. com sinais de tédio. Entra um homem na sala com um celular na mão, sem dar atenção para a mulher sentada no sofá fecha a porta por onde entrou. Permanece em silêncio digitando. A mulher fica olhando para o homem que continua digitando no celular. Indignada a mulher quebra o silêncio].

LUCÉLIA – Onde você foi?
(O homem continua digitando no celular).
- Valdovino? Onde você foi...?
(O homem de pé, no mesmo lugar de costas para a mulher sentada no sofá faz um sinal com a mão direita, indicando para a mulher esperar e continua em silêncio digitando no celular).
- Oswaldo Valdovino Perneta de Andrade? Onde você foi? Está me ouvindo? Eu mereço.
(pergunta a mulher sentada no sofá, agora sem olhar para a tv, mas com o controle remoto ainda na mão).
VALDOVINO- Oi, só um instante.
(Responde o homem ainda em pé sem tirar a atenção do celular).
LUCÉLIA – Valdovino...?
(Em tom de sarcasmo a mulher chama o homem que ainda se acha em pé).
VALDOVINO – Eu... fui... na padaria, amor.
(responde o homem, mas sem tirar os olhos do celular).
LUCÉLIA- Na padaria, amor?
(Intima a mulher).
VALDOVINO – Sim. Não tinha que comprar pão? Então eu fui lá enquanto você estava no banho.
(Responde o homem ainda sem olhar para a mulher e com toda a atenção voltada para o celular).
LUCÉLIA – Tem 45 minutos, não, 48 minutos que eu entrei para o banheiro, fiquei relaxando na banheira, ESPERANDO VOCÊ, Valdovino! (Em tom alto de intimidação) Tomei meu banho e estou sentada aqui faz uns 10 ou 12 minutos. Sendo que a padaria é aqui do lado, menos que cinco minutinhos você vai e volta, não dá 30 passos até a padaria... Valdovino, você está me escutando?
VALDOVINO – hmm? Sim! Só um pouco, já te atendo.
(O homem continua no celular).
LUCÉLIA – Valdovino!!! [Berra a mulher]. Seu cachorro ordinário!!!
VALDOVINO – O que?
(Responde o Homem, agora olhando para a esposa no sofá e guardando o celular no bolso da bermuda).
LUCÉLIA - Eu não acredito Valdovino!!!
(Com um olhar arregalado a mulher intimida o homem, agora parado sem reação).
- Eu não acredito Valdovino!!! Onde você foi?
(A mulher joga o controle remoto da televisão no homem que tenta se proteger).
VALDOVINO – Esta louca Lucélia? Quer me machucar? Vai quebrar tudo.
LUCÉLIA – Valdovino, eu não acredito seu monstro! Seu merda! Você não pode ter ido só ali à padaria.
VALDOVINO – O que foi Lucélia? Eu só fui ali à... Padaria!
LUCÉLIA – Quase uma hora, Valdovino? Não... Eu não acredito Valdovino!!! Sempre se aproveitando para dar uma escapadinha. É só eu virar as costas! Pensa que não sei que passa a noite toda fora, Valdovino?
(começa a chorar).
 - Eu sei bem o que você foi fazer sem mim, Valdovino! Seu cretino! Falso! Mentiroso! Você foi caçar POKEMON GO, sem mim, não é Valdovino?
VALDOVINO – Quem? Eu? Não... Lucélia!?!?! Quando eu passei a noite fora?
LUCÉLIA – Foi seu cachorro! Eu sei!
VALDOVINO – Eu fui à padaria...
LUCÉLIA – Eu sei que você foi caçar POKEMON.
VALDOVINO – Não! Você acha que eu faria isto com você Lucélia?
(O homem vai chegando ao lado da esposa, senta no sofá e a abraça).
LUCÉLIA – Não minta para mim, Valdovino! Você foi caçar pokemon! Acha que eu não conheço você? Sei quando você está mentindo para mim. Diz a verdade!  Por que ia chegar com celular o na mão?
(A mulher empurra o homem e se levanta, mas fica em pé ao seu lado de costas para ele, mas não se afasta).
VALDOVINO – Lucélia.
LUCÉLIA – Diz a verdade Valdovino!!!
VALDOVINO – É sério, Lucélia! Não sei como você pode me acusar dessas coisas! Eu vou sair por aí como um guri atrás dessas bobagens, especialmente sem você? Sei que gosta de sair.
(O homem puxa a mulher de volta para o seu lado. Ela tenta sentar em seu colo, ele devagar a empurra para o sofá. Ela estranha e faz uma careta de assustada com a atitude).
LUCÉLIA – Valdovino é sério mesmo?
(mulher franze a testa. O homem concorda com o movimento da cabeça indicando sim).
- Olha aqui Valdovino... Eu te perdoo por não transar comigo desde o dia 21 de setembro. Sabe quanto tempo dá isto? Quatro meses sem sexo, Valdovino! Tu sabes como eu me sinto? Estou subindo pelas paredes Valdovino! Eu preciso tanto, Valdovino.
(Neste momento ela tenta subir de novo no colo do marido. Ela veste um roupão de banho e ainda está com a toalha na cabeça, investe contra o homem, segurando o seu rosto tenta beija-lo).
VALDOVINO – Lucé... lia... Agora não!
(O homem fala entre os beijos).
LUCÉLIA – Por que não Valdovino? Faz tanto tempo que você não me “come”...
(Diz a mulher, baixinho em tom de tristeza, abrindo seu roupão).
VALDOVINO – Agora não Lucélia!
(Responde o homem se afastando e levantando do sofá. A mulher começa a chorar de novo).
- Lucélia! Para que chorar sem motivo? Só não “tô” afim agora.
LUCÉLIA – Tu não gosta mais de mim!? Bem que a Engrácia me avisou.
VALDOVINO – Que isto amor, eu te amo! Tu sabes...
LUCÉLIA – Então “transa” comigo! AGORA!
VALDOVINO – Mas Lucélia, pelos meus cálculos você está naqueles dias!
LUCÉLIA – Sim e daí?
VALDOVINO – E nossos planos? Projetos? Filhos só daqui a dois anos!
LUCÉLIA – Mas Valdovino... Para que tu achas que existe anticoncepcional? E preservativo? Mas por você, apesar de não querer um filho e eu querer, e apesar de engordar, dizem, eu tomo as pílulas para não engravidar. Ou você acha que eu finjo para você que tomo? Dá-me esse controle.
(Os dois ficam se olhando, a mulher limpa as lágrimas do rosto e encara o marido. Por alguns instantes ficam em silêncio. Ela volta para o sofá onde assistia à televisão ligando outra vez, trocando os canais seguidamente com o tédio estampado no rosto. Valdovino quebra o silêncio).
VALDOVINO - Tem falado com a Engrácia?
LUCÉLIA – Eu não. Ela não é sua secretária? Você não a vê todos os dias?
VALDOVINO – Não. Ela mudou de repartição.
LUCÉLIA – hum?
VALDOVINO - É. O povo lá do trabalho começou com fofoquinhas...
LUCÉLIA – Como assim?
VALDOVINO – Essas coisas de trabalho. Como ela é minha secretária, era minha secretária... E... Começaram com conversa fiada. Você sabe as normas lá do escritório: nada de relações amorosas. Claro que eu e ela não temos nada entre nós. (Pigarro limpando a garganta) É tudo muito profissional. Tu conheces a Engrácia melhor do que eu, Lucélia. Essas coisas de gente que não cuida da própria vida. Ficam de fofoca.
LUCÉLIA – Hmm. Sei!
(desconfiada)
- Mas Valdovino...diz a verdade para mim!
(Silêncio entre os dois)
VALDOVINO – Que verdade Lucélia? Eu já não te disse que não tenho nada com a...
(outro silêncio com troca de olhares)
LUCÉLIA – Você foi caçar POKEMON não foi?
(o homem demora a responder).
VALDOVINO – Não Lucélia! Eu não fui caçar POKEMON! Eu fui à padaria comprar pão! Satisfeita? EU FUI À PADARIA. Quantas vezes vou precisar repetir isso? Que não fui caçar POKEMON!!
LUCÉLIA – Tudo bem, Valdovino. E cadê o pão que você foi comprar?
VALDOVINO – Estava fechada a padaria.
LUCÉLIA – Sério Valdovino? É por isso que eu não acredito em você, meu amor.
VALDOVINO – Tudo bem Lucélia. Acredite no que quiser.  Mas... Já que tocou mais uma vez nesse assunto: quer ir caçar alguns POKEMONS lá no centro? Na praça central. Disseram que está cheio de gente. Vamos? Tem de ser agora.
(os olhos de Lucélia brilham e seu rosto se ilumina com um enorme sorriso de alegria).
LUCÉLIA – Quero ir sim! É claro que sim! Vamos!
(corre beija o marido na boca e se dirige ao quarto de onde grita).
- Vou me arrumar.
(na sala o homem fica em silêncio por uns instantes. Olha de lado para o quarto, pega o celular do bolso afasta-se para um canto da sala e faz uma ligação. Protege a voz com a mão em forma de concha e fala baixo no celular)
VALDOVINO – Engrácia? Sou eu. É. Hoje melou. A louca não tomou os remédios para dormir. Deu o maior bafão aqui quando cheguei... sim... mas...ela não desconfia de nada. Não dá Engrácia! Mas... como eu vou deixar ela se tudo o que tenho foi comprado por ela e pelo pai dela? Engrácia? Pega leve!  Eu não sou frouxo... bem, se você está na praça... sim... tá cheio de gente? Legal! Eu sei que prometi para você. Ei, eu estou indo ai com a doida... sim, oras! O que eu ia fazer? Para acalmar ela só assim! Isso! Você vai ter de sair dai. O que? O que? Tá bom. Mas faz isso por mim... Beijos!
(a mulher retorna do quarto já com bolsa e celular na mão).
LUCÉLIA – Com quem estava falando?
VALDOVINO – Com o... Josênio. O alarme do escritório disparou.
LUCÉLIA – Sei...
 [desconfiada]
 - E...?
VALDOVINO – Ele já resolveu.
LUCÉLIA – Que bom. Vamos ou não?
VALDOVINO – Claro. “Vambora!” POKEMON GO!
(Os dois saem do apartamento dando risada).
                                                           FIM.







Agradeço
Aos meus pés
Que me levam
Onde meus sonhos
Desejam.
Obrigado pés
Por cada passo

Dado.
Nas esquinas
da cidade
pedintes,
 vaidades.
Nos sinaleiros,
malabares,
 dignidades.

Nos restaurantes
e shoppings:

um mundo de Oz.
Saudades do vento que soprou
Do verão que acabou
E do filme:

E o vento levou...

UMA FAMÍLIA BRASILEIRA.

       Wigo andava por esses últimos dias com um incômodo que não sabia o do por quê. O imigrante alemão veio à vila vender seu sabão e vela...