segunda-feira, 2 de outubro de 2017

 “Enfim, sós!”
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Personagens:
Burguês de cartola;
Latifundiário;
Industrial;
Político;
Encarregado da linha de produção;
Pescador;
( a cena se passa em qualquer lugar imaginado; os personagens comemoram com champanhe, taças, e muitas risadas o fim de todas as coisas que os atrapalhavam e os incomodavam).

TODOS – enfim, sós! Enfim, sós!

BURGUÊS DE CARTOLA – finalmente! Vamos comemorar! Vamos beber!

TODOS – finalmente! Enfim, sós! Que felicidade! Enfim, sós!

LATIFUNDIÁRIO – eu nunca senti uma alegria tão grande em minha vida! Quanta felicidade! Não sabia que isso seria possível!

BURGUÊS DE CARTOLA – e o Sr. Latifundiário, não acreditou em mim. Viu? Eu prometi e cumpri! Eu te avisei que um dia, ficaríamos livres. E o Sr. Também, senhor industrial, não levou a sério o que eu já há muito vinha dizendo: livres! Agora, acreditas em mim? Livres!

LATIFUNDIÁRIO – como poderia imaginar que viveria para ver um dia desses? Ainda não estou acreditando! Belisquem-me, por favor. (o encarregado corre e belisca o latifundiário).

LATIFUNDIÁRIO – aí! Seu imbecil! Você não!

ENCARREGADO DA LINHA DE PRODUÇÃO – mas, você mandou...

INDUSTRIAL – xí! Quieto. Quem manda sou EU! Você obedece a mim! (belisca o latifundiário).

LATIFUNDIÁRIO – AÍ!

INDUSTRIAL – viu só? Não está doRRRmindo!

LATIFUNDIÁRIO – doeu.

BURGUÊS DE CARTOLA – senhores, senhores. Vamos comemorar, vamos beber! Aqui, por favor, suas taças! Champanhe para todos! Bem, para quase todos.
(serve champanhe a quase todos, não serve ao encarregado e o pescador).
- vamos! Alegria, pessoal! Vamos brindar! Enfim, sós! Tim-tim!
(todos brindam).
TODOS – enfim, sós! Enfim, sós!

POLÍTICO – eu não via a hora de nos livrarmos daquela gente chorona. Só sabem pedir e chorar, reclamar, chorar por migalhas e esmolas.

BURGUÊS DE CARTOLA – Aaaaa! Você foi muito inteligente, Sr. Politico, inventando todas aquelas leis que proibiram as reclamações e protestos, de todas as formas possíveis, desde uma música até uma pichação em um muro qualquer - Apesar de ser mais fácil utilizar a televisão para esses meios de emburricar as pessoas - Os protestos dessa gente mesquinha que se auto intitulam POVO! Mas, muito mais inteligente você foi quando ouviu os meus conselhos e inventou uma guerra genocida e matou todos ELES!

POLITICO – obrigado, obrigado.

LATIFUNDIÁRIO – mas o Sr. foi muito mais inteligente quando, através de uma emenda Constitucional, conseguiu derrubar todas as leis ambientais do país, TODAS, deixando livres nossas matas, que na verdade não servem para nada, afinal, para quê aquilo serve? Deixando o caminho livre para o que realmente faz a riqueza de nosso país: a soja! O ouro verde! Mas, muito mais inteligente o Sr. foi quando proibiu a todos os ambientalistas de protestarem sob ameaça, de serem presos. Expulsando os ambientalistas estrangeiros. Aqueles intrometidos! Chatos! Bando de maconheiros!

POLITICO – obrigado, obrigado!

BURGUÊS DE CARTOLA – isso senhor latifundiário, essas leis proibindo esses chorões de se manifestar, estava no mesmo pacote que encomendei ao nosso amigo aqui presente.

LATIFUNDIÁRIO – mas seu verdadeiro golpe de mestre, sua máxima astúcia e prova de inteligência foi quando Sr. aprovou o fim de todas as comunidades indígenas e quilombolas por todo o país. Todas as demarcações foram proibidas, as novas e as antigas perderam seu valor, proibindo junto às manifestações culturais e obrigando a todos vestirem roupas e abandonarem suas terras nas mãos dos fazendeiros e grandes produtores. Sem índios, sem ambientalistas, sem reforma agrária, sem SEM-TERRAS! Preciso parabenizá-lo!

POLÍTICO – obrigado, obrigado! Só fiz minha obrigação. Nada mais. Sem vocês esse país não existe. As forças produtivas precisam desse apoio. Vocês fazem esse país grande! Aquela gentalha chamada POVO “são” como moscas na sopa. E se contentam com migalhas.

BURGUÊS DE CARTOLA – contentavam-se! Contentavam-se você quer dizer. Agora estamos livres deles! Enfim, sós! Alegria, vamos beber!

TODOS – enfim, sós! Enfim, sós!

ENCARREGADO – finalmente meu patrão se viu livre desses pulhas, vadios e vagabundos que não queriam trabalhar ao menos 12 horas por dia para ajudar no crescimento da empresa! Esses vagabundos que enrolavam até a hora da saída depois de 8 horas de inúteis vadiagens, tirando dinheiro de meu patrão! E não cumprindo com a produção que lhe eram devidas. Nunca atingindo as metas da empresa e produção. Nunca! Felizmente, não é patrão? Nosso querido representante no governo (aponta para o político) conseguiu aprovar uma reforma trabalhista que alcança os anseios e desejos de todos os patrões de nosso querido país. Nosso representante! Parabéns!

POLÍTICO – Obrigado, obrigado! Não fiz mais que minha obrigação.

BURGUÊS DE CARTOLA – o fim dessas verdadeiras falanges. O fim de todos e a proibição de protestos foi um verdadeiro golpe de mestre.

LATIFUNDIÁRIO – vamos derrubar todas as árvores. Plantar soja é isso que enriquece o país. Deixar florestas em pé! Para quê? Para macacos? Passarinhos? Quem precisa disso? Bichos não trazem riquezas, há não ser, é claro, boi, ave de granjas, e suínos para negócios rentáveis, o restante é só para fazer sujeiras.

INDUSTRIAL – não servem para nada.

ENCARREGADO – só fazem sujeira não é patrão?

LATIFUNDIÁRIO – o que esse aí tá fazendo aqui? Ele não devia ter ido para a guerra também.

POLÍTICO – sim. Mas o Senhor Industrial pediu para manter ele por aqui, pois precisa de alguém para fazer a manutenção dos robôs da fábrica.

LATIFUNDIÁRIO – hum.

ENCARREGADO – agora que na indústria de meu patrão só tem máquinas robotizadas, ela funciona 24 horas sem parar, dando lucros! Sem salários, sem férias, sem feriados. E, é só ajustar a produção no computador e pronto. Milhões e milhões de reais. O melhor é não ouvir mais as choradeiras dos operários. É um alívio.

INDUSTRIAL - operários, não! Já te avisei. Colaboradores.

ENCARREGADO – é força do hábito.

PESCADOR – Eu estou feliz sem fiscalização. Posso pescar o que quiser, o quanto quiser e quando quiser.

BURGUÊS DE CARTOLA – muito bem, muito bem! Todos estão satisfeitos. Sem precisar pagar impostos e taxas, meus negócios estão dando retorno, um médio retorno, no mercado financeiro. Não como queria, mas...

LATIFUNDIÁRIO – e esse aí? O pescador?

POLÍTICO – e quem vai conseguir camarão, lagosta e frutos do mar para a gente? Tem de pensar bem...

LATIFUNDIÁRIO – hum.

BURGUÊS DE CARTOLA – senhores, senhores! Bebam! Vamos lá, bebam! Bebemos juntos! Champanhe para todos!
(não serve ao pescador e não serve ao encarregado).
_ Uma coisa eu digo e ei de alcançar, senhores (bebe) ei de alcançar: serei, um dia, o homem mais rico do mundo!
(os outros se olham)
_ Esse sonho ei de realizar!

INDUSTRIAL – então, senhor, e senhores, a competição será grande! Pois esse é meu mais antigo sonho: ser o homem mais rico do mundo!

ENCARREGADO – e será, patrão! Será! Agora que nos livramos de todos os funcionários e seus encargos, você vai conseguir patrão! Vai conseguir!

INDUSTRIAL – O Senhor...

BURGUÊS DE CARTOLA – Senhor! Não vamos nos iludir com possibilidades impossíveis. Enquanto o Sr. Ainda possui gastos com a produção, manutenção da fábrica, eu só faço investimentos, em dinheiro, empresto e recebo com juros estratosféricos! Sem gastar ganho muito mais dinheiro que todos vocês juntos.com isenção de impostos e taxas garantidos pelo nosso amigo aqui o senhor político. Essa isenção é importante para a economia, à macroeconomia de nosso país. Claro, és uma pequena ajuda, senhores...

INDUSTRIAL – mas isso não é justo. Assim, não me entenda mal senhor, mas preciso conversar com o senhor politico.

ENCARREGADO – senhor, (para o político) é preciso intervir perante o Estado para conseguir essas exonerações...

POLITICO – essas o quê?

ENCARREGADO – esses descontos que o senhor conseguiu para o nosso amigo, o senhor burguês.

LATIFUNDIÁRIO – eu também quero uma menor carga tributária nas minhas plantações, se não fica insustentável plantar soja. Meus negócios estão engessados! É preciso isenção de impostos para o agronegócio.

BURGUÊS DE CARTOLA – senhores, senhores! Essa não é a hora de brigarmos a falarmos de negócios. É hora de beber! Vamos, deixe-me encher suas taças de champanhe! Enfim, sós!

TODOS – enfim, sós, enfim, sós!

LATIFUNDIÁRIO – há muito que eu queria me livrar desses ambientalistas “malas” que enfrentavam meus funcionários quando iam ocupar terras improdutivas, indígenas ou expulsar pequenos agricultores que só conseguiam plantar aipim, batatas e alface. Só incomodavam! Árvores servem para lenha e fazer móveis.

INDUSTRIAL – agora posso produzir sem preocupar-me com o meio ambiente. Nada de filtros caros, nada de proteger e economizar água, nada de reciclar.

ENCARREGADO – as pessoas compram, compram e não sabem o que fazer com o lixo que eles mesmos compram e nós produzimos, não é patrão?

PESCADOR – posso usar a rede que eu quiser, a malha que eu quiser, posso jogar lixo no mar.

POLÍTICO – você tem camarão?

PESCADOR – sim, queres?

POLÍTICO – tem sete barbas? Quero dez quilos.

PESCADOR – trago amanhã, “dotô”.

BURGUÊS DE CARTOLA – não podemos esquecer o “presente” que nos foi dado pelo senhor (aponta para o político) com a Lei “Mulher de mordaça” obrigando as mulheres a ficarem em casa sem intervir mais em “nossos” negócios. Negócios de Homens.

ENCARREGADO – lugar de mulher é na cozinha. Não é, patrão?

POLÍTICO – e assim livrei-me também daquelas feministas e defensoras dos direitos humanos. Chatas encalhadas, baderneiras, isso é falta de macho!

LATIFUNDIÁRIO – lugar de mulher é na cama.

BURGUÊS DE CARTOLA – desliguei meu celular e proibi minha mulher de me ligar. É só para incomodar. Por isso, senhores, vamos beber. Onde estão suas taças?

LATIFUNDIÁRIO – aqui, aqui!

INDUSTRIAL – por favor, encha! Obrigado.

ENCARREGADO – dessa vez eu posso?
(o burguês de cartola finge não ver a taça do encarregado e do pescador)

POLÍTICO – vou dizer a vocês, meus amigos, o melhor de tudo será quando não ouvir mais aquelas “choramingue-las” de que é preciso melhores escolas, mais verbas para a educação, hospitais, melhores hospitais! Hurrr! Para que tudo isso? Só para apertar parafusos? Só para “bater massa”? Só para puxar gatilho? Eu tenho ódio daqueles professores mendigando melhores salários! Ódio! Índios, professores e quilombolas, sindicalistas, aposentados e ambientalistas. Aaa! Os sem-terra também!

LATIFUNDIÁRIO – minha produção melhorou muito depois que comprei aquelas colheitadeiras robotizadas, controlada por satélites. Na safra, elas trabalham 24 horas sem parar e sem chorar que estão cansadas, direitos e blá, blá, blá. Mas preciso de isenção.

POLÍTICO – mesmo com o desmantelamento dos sindicatos após a reforma trabalhista, ou como um dos meus financiadores dizia. (aponta para o burguês de cartola) tsunami trabalhista, esses vadios continuaram a incomodar nos tribunais com direitos, Direitos Humanos e toda essa galhofa que existia! Até me arrepia!

INDUSTRIAL – eu avisei que essa reforma devia ser mais radical ainda. Jornada diária de trabalho de 12 horas sem reposição salarial, sem horas extras com limites. Só assim poderíamos competir com os países industrializados e com a China. Só assim vamos crescer. E essa reforma ficou barata. Estamos perdendo para o Paraguai.

BURGUÊS DE CARTOLA – eu avisei...

POLÍTICO – pois é. Mas alguns de seus amigos empresários ficaram com dó dessa laia! São todos uns vadios! Reclamam de minha profissão que exigem muitos sacrifícios, desgaste da minha vida pessoal, sacrifícios difíceis de serem superados e ainda querem que os poucos benefícios que nos são dados, para nós da classe política, sejam cortadas! Comparam a minha classe profissional importantíssima para a democracia e a ordem republicana com reles professorzinhos do chão de escolas que é a ralé brasileira.

INDUSTRIAL – esse é o problema do POVO: você dá um dedinho e eles querem o corpo todo! Choram por um emprego de faxineiro e quando conseguem reclamam, sindicalizam-se, fazem greves!

ENCARREGADO – faziam, faziam patrão! Agora só temos robôs.

INDUSTRIAL – tanto dinheiro gastei com esses mau caráter, ingratos! Mas minha generosidade tem limites.

ENCARREGADO – tinha patrão. Tinha. Agora acabou. Esqueça.

BURGUÊS DE CARTOLA – sim, sim. Isso mesmo. Agora é só felicidade. Vamos beber! As taças, as taças!
(enche as taças não servindo ao encarregado e ao pescador os dois lambem os lábios)
- outra ótima notícia que lhes trago é que tenho um fundo de investimentos em um paraíso fiscal, e quando precisarem fazer um investimento com rendimentos maiores, é só falar comigo.

POLÍTICO – como assim paraíso fiscal?

BURGUÊS DE CARTOLA – sim. Hum... Quanto custa o seu silêncio?

POLÍTICO – 10%.

BURGUÊS DE CARTOLA – Fechado.
(apertam as mãos).

LATIFUNDIÁRIO – e aquela isenção que o senhor conseguiu para o nosso amigo, o senhor burguês? É difícil conseguir para o agronegócio essas isenções? Estamos tendo dificuldades em nossos negócios.

POLÍTICO – eu posso tentar senhor, mas será preciso convencer meus companheiros de câmara, se é que me entende?

LATIFUNDIÁRIO – tudo bem. Negocia com eles, mas seja generoso. Sou pobre, tenho poucas posses. Não tenho dinheiro.

INDUSTRIAL – a produção industrial necessita também de maiores isenções fiscais. Estamos indo a bancarrota! Financiamos sua candidatura esperando que o senhor nos ajudasse. Como ficam as coisas agora?
(o burguês de cartola puxa o político de lado)

BURGUÊS DE CARTOLA – quer ficar sem mesada?

POLÍTICO – como assim?

BURGUÊS DE CARTOLA – não se faça de desentendido. Eu quero ser o homem mais rico do mundo! Entendeu? Enrolem eles.

POLÍTICO – mais ou menos.

BURGUÊS DE CARTOLA – quer ficar sem champanhe?

POLÍTICO – não.

BURGUÊS DE CARTOLA – sem mesada?

POLÍTICO – Não.

BURGUÊS DE CARTOLA – então, me ajude que eu ajudo você. Nada de isenções para esses idiotas. Entendeu agora?

POLÍTICO – hum.

ENCARREGADO – o que os senhores estão conversando? Meu patrão está curioso?

POLÍTICO – Como disse? Você não se enxerga?

PESCADOR – o senhor está com o champanhe? Não bebi nem um golinho ainda.

BURGUÊS DE CARTOLA – Sim, sim. Deixe-me servir aos senhores. As taças, as taças. Vamos “bebemorar” como dizia a ralé!
(serve a todos menos o pescador e o encarregado)

INDUSTRIAL – não diga este nome! Dá má sorte. Vai que eles voltem!

POLÍTICO – me dá arrepios só de lembrar! Olha, olha aqui meu braço? Olha! Arrepiou tudo.

LATIFUNDIÁRIO – e então, Sr. Político? Como ficam as isenções prometidas ao agronegócio?

BURGUÊS DE CARTOLA – senhores, senhores. Agora não é hora de falarmos de negócios. Vamos comemorar. Agora que nos livramos daqueles trastes precisamos comemorar! Vamos beber a nossa liberdade e felicidade. Suas taças. Vamos beber.

LATIFUNDIÁRIO – Perdão senhor, mas preciso de uma confirmação agora. O que diz a este respeito, Sr. Político?

POLÍTICO - bem senhores, com tantas isenções a todos os setores produtivos eu não vejo outra forma de conseguir arrecadar taxas e impostos, para pagar meu humilde salário e os poucos benefícios que recebo se não for através do aumento de impostos. Ou ao menos a manutenção destas porcentagens. Não vejo outra forma.

TODOS – o quê?

POLÍTICO – alguém tem de financiar a democracia, manter vivo o espirito do liberalismo e nossos privilégios.

TODOS – mas não...?

POLÍTICO – não vejo outra forma.
INDUSTRIAL – deve ter outra forma...
POLÍTICO – Bem. Sei que – até me arrepia – olha! (mostra o braço) mas quem mantinha nossos privilégios foram embora...

ENCARREGADO – fala homem! Não estamos entendendo.

POLÍTICO – quem mantinha nossos privilégios pagando taxas e impostos embutidos no arroz e feijão, no pão, na batata, no tomate, nos remédios básicos, no leite, roupas, no que vocês produzem já com margens de lucros astronômicas eram aqueles asquerosos trabalhadores que mandamos embora. Eles sustentavam nossos pequenos privilégios de cada dia.

ENCARREGADO – do que você está falando?

POLÍTICO – do retorno das massas proletárias para trabalhar e comprar com impostos, ou de abrir mão de algumas isenções para, com a generosidade de vocês, manter nossos privilégios com as exportações.

PESCADOR – isto é um ponto a se pensar. Quem vai comprar meus peixes? Além dos senhores?

LATIFUNDIÁRIO – a volta daquela ralé e roceiros não dá!

ENCARREGADO – aqueles vagabundos voltarem? Não dá!

INDUSTRIAL – quem vai pagar mais por isso? É melhor pensarmos bem...

POLÍTICO – a volta do POVO não dá!

TODOS – é. Não dá. Vamos abrir mão de alguns privilégios. É isso aí, vamos. É melhor que a volta do POVO.

BURGUÊS DE CARTOLA – então, senhores, suas taças, vamos beber e comemorar. As taças, as taças! O POVO nunca mais. Vamos beber.
(fala ao ouvido do político)
- vais ganhar um belo presente pela astúcia. Ainda mais se garantir isenções para meus negócios.

POLÍTICO – podes deixar. Eles caíram como patos.

PESCADOR – gente, quem vai comprar minhas sardinhas?

BURGUÊS DE CARTOLA – não te preocupes com isto agora, senhor. Beba! Vamos comemorar! Sua taça, onde está?
(enche a metade)

PESCADOR – só isso?

BURGUÊS DE CARTOLA – e o que tu queres? Mais? Não abuse de tua sorte, senhor. Beba! Vamos. Estamos livres daquela ralé. Bebam, bebam! Enfim, sós, enfim, sós!

TODOS – Enfim, sós. Enfim, sós! Livres!
(saem juntos de cena)

            FIM.







2 comentários:

UMA FAMÍLIA BRASILEIRA.

       Wigo andava por esses últimos dias com um incômodo que não sabia o do por quê. O imigrante alemão veio à vila vender seu sabão e vela...