CABEÇA, O MENINO QUE FOGE DA LUA.
Cabeça
é um menino esperto, tanto, mais tanto, que ganhou o apelido de cabeça.
Cabeça
sai na rua só depois da aula,
Para
ver o mar,
Para
ver o dia acabar.
Depois
de muito, muito, brincar,
Lembrava:
“já é hora de voltar.”
- Mamãe vai começar a se
preocupar.
Com sua irmã e irmãos mais velhos,
Maria e Hélcio,
É o inverso.
Diz sua mãe: “confiança, eu tenho, preocupação também,
sim senhor, mas não em excesso”.
- Um dia vai ser a minha
vez.
“Um dia”, responde mamãe,
“Por enquanto,
Sou eu quem mando”.
Cabeça correu pra casa,
Com pressa,
Nem viu quando passou
Pela praça.
Passou pela escola,
Passou pela padaria,
Esqueceu com o amigo a sua bola.
E não ouviu o grito da tia.
Cabeça estranhou a lua,
Nunca a havia reparado.
Onde ele ia, lá estava ela,
Parecia que o seguia.
Desde
a casa de Toninho
e
por todo o caminho.
“A lua será que está me seguindo?”
Atrás de um poste parou,
Esperou, esperou...
Com o olho esquerdo,
Bem devagar, olhou.
“droga, tá lá a lua”, pensou,
“vou fugir pela outra rua”.
Correu, correu, correu. Sem olhar para trás.
Quando parou,
Escondido por uma lixeira
Sentou,
E pensou:
“olho ou não olho?”
“olho ou não olho?”
“olho ou não olho?”
Decidido, olhou.
“tá lá!”
Parada no mesmo lugar.
“será que está me seguindo?”
Voltou indo.
Rapidinho,
A cada passinho
Sem olhar para o lado,
ou cima, ou atrás,
Só pro chão.
Curioso, Cabeça não aguenta, não.
Tá lá a lua abelhuda.
“Tá me cuidando”,
Pensa,
“vou correndo, vou voando”.
Cabeça dispara,
Imagina ele em uma velocidade rara.
A lua é muito rápida,
“Não consigo despistar,
Vou correr até ela cansar”
Cabeça corre,
Corre muito.
Mas mesmo assim
A lua está, enfim,
A lhe pisar os calcanhares.
Cabeça para e grita com a lua:
- Me deixe em paz! Fique na
sua.
A lua nada diz.
Fica parada.
Como se não fosse com ela,
“que descarada!”
Cabeça volta a andar,
Olha para o lado
E a lua tá lá.
Seguindo-o a cada passo.
Quando cabeça chega em casa
Sua mãe está na porta
A o mirar
Com a vista torta.
A lua para,
Na frente da casa.
“Cabeça onde estava?”
“Mãe, a lua tá me seguindo.”
“Fala pra ela ir logo saindo.”
“Eu mandei ela te seguir.”
“verdade?”
“Claro. Como onde você está eu saberei?”
Cabeça entra em casa,
E da janela
Olha pra ela,
Lá no alto,
De cima de seu salto.
Mamãe a lua agradece,
Mas de lá a lua não desce.
“Só amanhã de manhã”, diz mamãe.
Cabeça não entende
Como mamãe convence
“A lua a não me perder.”
"Mamãe sabe sim,
O que sempre dizer.”
FIM.
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