UM
COPO DE LEITE E UMA MANGA.
- E então, eu tomei um copo
de leite e logo depois comi uma imeeennnsa!, de uma manga.
- Até o caroço?
- Até o caroço!
- E então?
- Então o quê?
- Não morreu ainda?
- Até agora não.
- Minha mãe sempre disse que
quem bebe leite e depois come manga morre na hora.
- Meu tio Tião disse uma vez
que conheceu um japonês que morreu depois de tomar um copão de leite e comer manga.
- Aquele seu tio que disse
ter jogado bola com o Pelé? Meu pai falou que ele é o maior mentiroso.
- Não é mentiroso nada!
- Meu pai disse que é
mentiroso sim!
- Não é nada! Eu vou contar
tudo pro meu tio viu? Você vai ver só.
- Eu vou falar tudo para o
papai, e ai ele vai vir aqui e vai confirmar tudo o que falou. Você vai ver. Papai,
papai! Olha aqui a Bruna falando que você não fala a verdade do tio dela! Não é que você disse que o
tio dela é o maior mentiroso?
- Ele nem ouviu.
- Pai! Pai!
- Agora é minha vez de
contar pra vocês o que eu fiz.
- E o meu pai ainda disse
que sua mãe não presta! É falsa e faladeira da vida dos outros.
- Pai, pai! Olha aqui a
Bruna falando mal da mamãe! Eu vou bater nela, essa mentirosa!
- É minha vez de contar a
minha história.
- Vem me bater vem, se você
for homem.
- Só não vou te bater porque
homem não bate em mulher.
- E homem não faz xixi na
cama ou nas calças como você. Minha mãe disse que você parece um mariquinha!
- Não pareço não!
- É sim, é sim! Mariquinha,
mariquinha! O Diego é um mariquinha! Quem faz xixi na cama e brinca de boneca é
mulherzinha. E menino que é mulherzinha é também mariquinha! Mariquinha!
- Não sou mariquinha não!
Você que é uma putinha! Minha mãe falou isso. Só fica no meio dos meninos!
- Mariquinhas, mariquinhas!
- ô...Manhiê! Olha a Bruna
aqui ó! Tá me chamando de mariquinha. Vou bater nela!
- É a minha vez de contar a
minha história. Cala a boca!!!!!!
- NÃO! Eu vou contar
primeiro a minha!
- Não vai não. É minha vez.
- Mas eu disse primeiro.
- EU vou contar primeiro.
- Mariquinha, mariquinha!
- Não sou Não! Mãe, MÃE!
Olha aqui a Bruna não quer parar de me chamar de mariquinha! Manda-a parar!
- Mariquinha, MARIQUINHA!
- Eu não sou não!
- MARIQUINHA, MARIQUINHA!
- ME DEIXE CONTAR A MINHA
HISTÓRIA!!!!!
- CALA A BOCA! EU VOU CONTAR
PRIMEIRO!
- ESCUTEM! CALA A BOCA!
- Ô mãe! Olha a Bruna aqui.
Ela não quer parar de falar mal de mim!
- Mariquinha, mariquinha!
- Não sou não!
- ESCUTEEEEEEEEEMMMMMMM!
- Ô MÃE! Olha a Bruna!
- ESCUTEEEEEEEEEMM!
- É sim a maior marica da
família!
- MÃEEEEEEE, olha a Bruna
aqui, não quer parar!
- ESCUTEM!
- Crianças, crianças, vamos
parar? CHEGA!
- É a Bruna tia, não quer
parar.
- Bruna! É para brincar. Se
não vai todo mundo embora, já, já.
- mariquinha,
mariquinha.
- Mãe e Bruna ainda tá me
chamando de mariquinha.
- É a sua filha Raphaella.
Dá um jeito nela.
- Bruna, chega, por favor?
- Eu não fiz nada, mamãe.
- Vou chamar seu pai, quer
isso? Então para.
- Agora é a minha vez de
contar minha história.
- Eu vou contar o que fiz.
- Era eu quem ia contar.
- Então depois sou eu quem vai
contar.
- Eu tomei um gole na
cachaça do vovô.
- Sério?
- Foi um golão. E nem fiquei
bêbado.
- E seu vô, não viu?
- Ele estava dormindo na
cama ao lado.
- Bêbado?
- Bebaço.
- Meu tio Reginaldo disse
que seu avô é um vadio.
- Não fale assim do meu avô.
- Vadio! Vadio!
- Ô, mãe! Olha aqui a Bruna.
Está falando mal do vovô!
- Bruna! Chega. Vou contar
para seu pai.
- vadio,
vadio, vadio.
- CHEGA BRUNA! Vamos embora.
- Não quero ir!
- Então para!
- Você não manda em mim.
- A é? Então é o que vamos
ver. Vou chamar seu pai agora. Josué! Vem cá cuidar de sua filha.
- Não tenho medo de você sua
feia.
- Josué! Quer por favor, vir
cuidar de sua filha? Ela não quer me obedecer.
- Porra, Bruna! Quer
apanhar? Quer levar umas bordoadas?
- Eu não fiz nada papai.
- Então chega.
- Agora é minha vez.
- Depois sou eu.
- E depois sou eu.
- Eu bebi a água com sabonete
na hora do banho.
- Ai seu burro. Quem nunca bebeu a água com sabonete na hora do banho?
- Mamãe disse que é bom para
limpar o estômago.
- E o coco sai cheiroso.
- Agora sou eu.
- Não, é a minha vez.
- Primeiro sou eu Bruna.
- Sou eu! Sabem o quê...
- É minha vez Bruna.
- Sou eu. Não vou ouvir, não
vou ouvir.
- É minha vez.
- Não vou ouvir, não vou
ouvir, não vou ouvir, lá, lá, lá, lá. Não vou ouvir.
- Tia, olha a Bruna!
- Josué, que saco. Olha sua
filha.
- Que merda Marlene. Ti
vira, eu não fiz essa menina sozinho. Tu és a mãe também.
- Bruna, que caralho!
- Eu não fiz nada papai.
- Então obedeça a sua mãe e
brinque direito.
- Tá bom.
- Eu bebi a água do vaso da
planta da sala da mamãe. E sabem que planta era? “Comigo-ninguém-pode!”
- E passou mal?
- Vomitei o dia todo.
- E eu bebi o azeite da
salada.
- Eca! Que nojo.
- Ui! Que horrível.
- Eca!
- Eca!
- Me deu a maior caganeira.
- Eu bebi a água benta da
igreja.
- Mentira. É mentira sua.
- Cala a boca imbecil.
- Mentira. É pecado mentir.
Você não vai ir pro céu. Ele nem foi na igreja essa semana.
- Já faz tempo idiota.
- Não vale.
- Fica na sua Bruna. Sapatão.
Minha vó disse que você vai ser sapatão. Só vive no meio dos meninos.
- Tu és quem não vai ir pro
céu, mano. Fica vendo as revistas de mulher pelada do papai escondido quando
ele sai. E ainda fica pelado na frente do computador.
- Cala a boca imbecil.
Fofoqueiro. Foi só uma vez. Meu amigo quem pediu para ver se eu estava falando
a verdade quando disse pra ele que era mais forte do que o Hulk.
- Cala a boca você.
- E eu bebi café sem açúcar!
- ah, nem tem graça isso.
- É mesmo.
- E eu bebi água sanitária
do banheiro. A mamãe ficou doida, disse que eu ia morrer. E estava me queimando
tudo por dentro.
- Sai daí chorão.
- Não sou não.
- É sim um chorão! Chorão,
chorão!
- Ô, mãe. Olha a Bruna de
novo!
- Tá bom. Já parei.
- Aí a mamãe me deu para
beber um litro de leite sem açúcar. Um litro todo.
- Sério? Eca!
- Ui.
- Credo. Coisa horrível.
- Que nojo. Leite sem açúcar
e puro? É pior do que tudo.
- É muito ruim. Éhrgh......!
- Crianças? Crianças? Querem
um pouco de Coca-Cola?
- Sim! Queremos!
- uhu!!
- Sim!
- Sim eu quero!
- Oba! O último a chegar é
mulher do padre!
- mariquinha!
Mariquinha!
FIM.
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